sábado, 28 de outubro de 2017

Literatura - Do amor e da amizade

"... somos os únicos que podemos sentir a intensidade dessas emoções..."

DO AMOR E DA AMIZADE

Há inúmeros tipos de amor e de amizade: os que mexem com o espírito, os que mexem com a carne, os que mexem com o corpo e a alma – seja na expectativa da espera da chegada, seja na saudade forjada pelo vazio das despedidas e ausências temporais ou eternas.
No dimensão da nossa imensurável individualidade, somos os únicos que podemos sentir a intensidade dessas emoções e como elas afloram  em nosso íntimo. Não o fazemos com a razão e lógica epistemológicas, mas com o coração.
Nesse momento, imerso no paradoxo da arte, tornamo-nos poetas, incapazes de distinguir amor e amizade...

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Crédito da imagem: 
http://www.colorir.blog.br/desenhos-para-colorir/desenhos-para-colorir-amizade/8 - Acesso em 28-10-2017


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Série Artes - Quadros famosos IV : Guernica

O estilo e as cores ajudam a expressar a inconformidade do
artista ante as atrocidades na vila de Guernica.

Painel a óleo, medindo 3,49m x 7,76m, de Pablo Picasso, expressa o sentimento de repulsa do artista em face do bombardeio da vila espanhola de Guernica (Guernica y Luno) pela força aérea alemã em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).
 
Curiosidades
  • Transferido para o Museu de Arte Moderna de Nova York (MOMA) durante a II Guerra, o painel retornou à Espanha apenas em 1981, após a morte do ditador Francisco Franco. Atualmente, encontra-se em Madrid, no Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia;
  • É considerada a obra mais importante de Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso;
  • Realizada em Paris, onde o artista morava, a obra, no estilo cubista, consumiu cerca de três meses de trabalho;
  • O cubismo, movimento artístico do qual Picasso é um dos precursores, caracteriza-se pela desarmonia, deformação, subjetivismo, geometrização das formas e volumes; renúncia à perspectiva, superfícies planas, cores austeras;  

Pablo Picasso (1881 - 1973)
  • Painel nas cores preta e branca, tons de cinza e traços amarelos, foi pintado para a Exposição Internacional sobre a Vida Moderna, em Paris, onde não ocupou lugar de destaque, tampouco fez sucesso de público;
  • Na época, Guernica era uma pequena aldeia basca, situada no norte da Espanha, com uma população de cerca de 6.000 habitantes; o bombardeio de mais de três horas acarretou a morte de cerca de 1.700 pessoas e quase 900 feridos;
  • Especula-se que os alemães usaram os ataques como experiências para o que viria depois; para alguns historiadores, foi um ato simbólico do ditador Franco em represália ao povo basco que assinara tratado de autonomia com o Governo Republicano Espanhol;
  • Em Paris, Picasso tomou conhecimento das atrocidades através dos jornais;
  • Durante a Exposição, um oficial nazista teria perguntado a Picasso se fora ele [Picasso] o autor da obra, ao que o pintor respondeu: “Não, foram vocês!”;
  • De certo modo, a pintura preconizou os horrores que viriam depois com o nazismo e a II Guerra Mundial;

Releitura de Guernica para o Rio de Janeiro,
do artista plástico Alex Frechette (2014)
  • Por ter ficado muito tempo fora da Espanha, para onde - conforme desejo do artista - só deveria voltar quando a ditadura tivesse terminado, o painel era chamado pelo espanhóis de "el último exiliado";
  • Inspirado na obra, o pintor brasileiro Alex Frechette “trouxe Guernica para o Rio de Janeiro dos dias atuais: ‘onde uma mãe é arrastada por uma viatura, as remoções são constantes, o número de desabrigados é alarmante, Amarildo desaparece (...)’”; (7)
  • Em 1953, Pablo Picasso autorizou a vinda do painel ao Brasil para a 2ª Bienal de São Paulo – evento que ficou conhecido como a Bienal de Guernica.
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Links e fontes de consultas - Todos acessados em 24/7/2015.
  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Picasso
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Guernica_y_Luno
  3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Guernica_(quadro)
  4. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/7/74/PicassoGuernica.jpg
  5. http://www.mundoeducacao.com/historiageral/a-leitura-obra-guernica-picasso-para-estudo-historia.htm
  6. http://educaterra.terra.com.br/voltaire/mundo/guernica_eta.htm
  7. http://lounge.obviousmag.org/mosaico/2015/04/guernica---78-anos-historia-e-desdobramentos.html
  8. http://lounge.obviousmag.org/mosaico/assets_c/2015/04/Alex%20Frechette-101527.html
  9. http://www.pbs.org/treasuresoftheworld/a_nav/guernica_nav/main_guerfrm.html
  10. http://bienal.org.br/post.php?i=346
  11. http://coletivocarranca.cc/arte-ativismo-e-contracultura/

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Série Artes - Quadros famosos III : Abaporu

Abaporu - Óleo sobre tela, medindo 85cm x 72cm, 1928.
Tarsila do Amaral (1886, Capivari – 1973, São Paulo)

Curiosidades
  • Atualmente, Abaporu é o quadro brasileiro mais valioso do mundo, sendo considerado por muitos críticos como o mais importante produzido no Brasil;
  • Em 1995, foi comprado por um colecionador argentino por US$ 2,5 milhões;
  • Encontra-se exposto no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba), onde é um dos destaques;
  • Foi pintado para presentear o escritor Oswald de Andrade, na época marido da artista.
  • O nome Abaporu significa “homem que come gente” e foi criado pela artista utilizando palavras em tupi-guarani: aba (aquele que come), para (carne crua) [canibal];
  • Serviu de inspiração para que Oswald de Andrade escrevesse o Manifesto Antropofágico - cuja proposta artística era “deglutir” a cultura europeia, valorizando a brasileira;
  • A deformação da figura, que aguça a curiosidade, e o ambiente em que está inserida permitem diversas interpretações: pode ser uma pessoa deformada ou um gigante (olhando de baixo para cima, vê-se o braço esquerdo dobrado e a mão no rosto), numa postura de contemplação. As cores e o cactus sugerem um nordestino brasileiro solitário, mas pode, também, representar o homem do mundo...   Como você o interpretaria?
Mona Lisa e O Grito são, respectivamente, as obras mais reproduzidas
nas escolas brasileiras. Abaporu vem em terceiro lugar.
  • Tarsilinha do Amaral, sobrinha-neta, sugere no livro “Abaporu: uma obra de amor” (4) que a pintura foi, na verdade, um autorretrato da tia-avó que o teria criado estando nua em frente a um espelho...
  • Tarsila do Amaral foi retratada como personagem no cinema e na televisão, entre outros, no filme "Eternamente Pagu" (1988), interpretada por Esther Góes e dirigido por Norma Benguell;
  • “Amaral” é o nome de uma cratera em Mercúrio, homenagem à artista concedida pela União Astronômica Internacional (2008);
  • Depois de Mona Lisa (Leonardo da Vinci) e O Grito (Edvard Munch), Abaporu é a obra de arte mais reproduzida nas escolas brasileiras.
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Links e fontes de consultas - Todos acessados em 1º/7/2015. 
  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Abaporu#/media/File:Abaporu.jpg
  2. http://jornalggn.com.br/blog/luiz-neves/o-enigmatico-significado-do-abaporu
  3. http://noticias.universia.com.br/tempo-livre/noticia/2012/01/01/900810/conheca-abaporu-tarsila-do-amaral.html
  4. http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,sobrinha-neta-de-tarsila-do-amaral-diz-que-abaporu-nasceu-de-autorretrato,1165333
  5. http://obviousmag.org/girafa_de_gavetas/2015/04/as-releituras-do-abaporu-de-tarsila-do-amaral.html
  6. https://pt.wikipedia.org/wiki/Abaporu
  7. https://pt.wikipedia.org/wiki/Tarsila_do_Amaral
  8. https://pt.wikipedia.org/wiki/O_Grito_(pintura)#/media/File:The_Scream.jpg
  9. https://pt.wikipedia.org/wiki/Mona_Lisa#/media/File:Mona_Lisa,_by_Leonardo_da_Vinci,_from_C2RMF_retouched.jpg

sábado, 27 de junho de 2015

Série Artes - Quadros famosos II : Mona Lisa

 
Óleo sobre madeira de álamo,
medindo 77cm de altura x 53cm de largura.
 Curiosidades
  • Pintura de Leonardo da Vinci, realizada entre 1503 e 1506.
  • Quadro mais valioso do mundo, estando avaliado em US$ 2,5 bilhões (aproximadamente, R$ 6 bilhões).
  • Mona Lisa (Senhora Lisa), também é conhecida por Gioconda (A sorridente) ou Mona Lisa Del Giocondo (Senhora de Giocondo). 
  • Da Vinci o levou da Itália para a França em 1516, ano em que foi trabalhar na corte de Francisco I.
  • Atualmente, encontra-se no Museu do Louvre para onde foi levado depois da Revolução Francesa. Constitui a maior atração: dos 9 milhões de visitantes anuais, 80% vão exclusivamente para vê-lo.
  • O interesse pelo quadro começou em 1911, quando foi roubado. Entre os suspeitos, encontrava-se o pintor Pablo Picasso (depois inocentado).
  • A obra, sem data ou assinatura (característica do pintor) sofreu diversos atentados (ácido, xícara, pedrada), estando protegida por seguranças e grossos vidros à prova de bala.
  • Não há consenso quanto à identidade do(a) modelo: Lisa Del Giocondo (mulher de um comerciante florentino, hipótese mais aceita), Caterina (mãe do pintor), autorretrato (de mulher), Gian Giacomo Caprotti (aprendiz e possível amante do pintor), entre outros.
  • A tela Gioventù (1898), obra-prima de Eliseu Visconti, é considerada por muitos estudiosos, a Mona Lisa brasileira.

Série Artes - Quadros famosos I : Independência ou Morte

 
Óleo sobre tela do escritor, cientista, filósofo, político e professor
Pedro Américo (Paraíba, 1843 / Florença, 1905)
Curiosidades
  • Pintura encomendada por D. Pedro II, também conhecida por Grito do Ipiranga.
  • Concluído em 1888, em Florença, Itália, 66 anos depois do fato.
  • Mede 4,15m de altura por 7,60m de largura.
  • Encontra-se no Museu Paulista (ou do Ipiranga), da Universidade de São Paulo – USP.
  • A passividade dos trabalhadores à esquerda pode simbolizar o distanciamento do povo do movimento de independência, na prática, levado a efeito pela elite brasileira.
  • Sabe-se que D. Pedro I estava com diarreia nesse dia e não montava o garboso cavalo, mas uma mula ou jumento, animais utilizados na época para viagens de longa distância.
  • A casinha que aparece à direita, localizada próximo ao riacho, chamada hoje de Casa do Grito, não fazia parte do cenário da Independência (registros indicam que foi construída por volta de 1884).
  • Discute-se até hoje que a obra seja plágio da pintura de Ernest Meissonier, Batalha de Friedland, de 1875 – Observe a imagem abaixo e tire suas conclusões, mas não se esqueça de entender o contexto em quer transitam os artistas na época (escolas, técnicas, etc.).
  • Para saber “quem é quem” no Grito do Ipiranga, acesse o link “b”.

Batalha de Friedland, de 1875
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Links e fontes de referência - Todos acessados em 25/6/2015.
 
b)    http://vejasp.abril.com.br/materia/quem-quem-no-independencia-ou-morte/
c)    https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Independ%C3%AAncia_ou_Morte.jpg

terça-feira, 26 de maio de 2015

Imagem: Mundo cão



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Fonte da imagem: http://tuscachorros.com/humor/perros-escondidos.html

segunda-feira, 30 de março de 2015

Literatura: Tempos poéticos...


O tempo não comprou passagem de volta. [Mário Lago]

No início da década de 1990, escrevi um poema batizado Se tempo houver e o dediquei a Rita, companheira de 26 anos. Durante anos, mantive-o guardado. Um dia, não me lembro em que contexto, tomei coragem e li a obra-prima para a musa inspiradora. Ela ouviu, sorriu e, bem de acordo com o seu estilo prático, deixou escapar nas entrelinhas que não teria muita paciência para esperar “tanto tempo”, não...

-  Nada poético, pensei.

Cerca de uma década depois, exatamente no dia dos namorados de 2013, ela me deu um cartão em cujo envelope havia uma folha de papel cuidadosamente dobrada; nela, um texto manuscrito intitulado Sempre e enquanto há tempo...

- O lado poético até então adormecido havia, enfim, aflorado!, pensei, com um leve e sutil sentimento de doce vingança (rs).

Deixando de lado a timidez, resolvi abrir o baú e publicar esses fatos da "intimidade" do casal. O primeiro texto é integral, o segundo, para não correr riscos domésticos, apenas fragmento. 

[Detalhe: Rita ainda não sabe desta brilhante iniciativa e, quando souber, não sei se receberei outro poema.. rsrsr).

"Colherei rosas – talvez cravos ou jasmins..."

Se tempo houver...
(para Rita)

Se houver tempo descerei ao jardim,
Colherei rosas – talvez cravos ou jasmins,
Arrumá-las-ei num buquê bonito
E o guardarei, impaciente.

Se houver tempo,
Regarei as flores que restarem,
Replantarei as mudas incipientes,
Podarei as árvores frondejantes,
Os brotos abundantes
E a aguardarei aqui.

Se houver tempo
Descerrarei a casa toda,
Sentarei em nosso canto
E extasiado pelo encanto do instante da espera,
Farei um poema simples
Dedicado a você.

Ah!, e se ainda houver tempo,
Apenas sonharei.
E mesmo acordado
Replantarei o passado
E mondarei o que de errado deixei florescer.

E, se depois de tudo,
Tempo ainda houver,
Mesmo que as flores não
Tenham crescido,
Relembrarei as promessas de amor e de sonhos
Que no envolvimento das pressas
- por falta de tempo! –
Havia esquecido.

[Paulo R Rezende]

"Para o amor não é necessário buquê..."

[Fragmento] 
“Sempre e enquanto há tempo
(Para Paulo)

Sempre há tempo de descer ao jardim, colher rosas...
Talvez cravos ou jasmins.
- Para o amor não é necessário buquê, pois ele é impaciente.

Sempre tem de haver tempo dentro dessa impaciência,
Para regar as flores, cuidar das mudas.
Podar as árvores frondejantes e os botões abundantes.
- Sem pressa.

Ainda é cedo para a espera de descerrar toda a casa,
Sentar em algum canto e me sentir extasiada
Pelo encanto da espera.
E na minha impaciência, talvez consiga fazer uma poesia simples... 
- Toda, porém, dedicada a você. (...)”

[Rita de Cássia Z P Rezende]

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Literatura - Os cometas são fugazes e frios...

Sê o novo Sol ou outra estrela de primeira grandeza, se preferires,
mas aquece e ilumina durante toda a tua vida.
Os cometas, apesar do fulgor e da beleza, são fugazes e frios...
 
Segue em frente, mas não deixes de dar o próximo passo – imprescindível à caminhada! –, nem relutes com temor: conseguirás alcançar o objetivo que tenhas estabelecido. “Que tenhas estabelecido”, eis a questão. 
O amanhecer desperta a vida que há em si, o anoitecer a acalanta e tu te descansas para continuar – "continuar", ação que só é possível quando já se tenha começado.
Espera o amanhã sempre amigo e sorri, porque – não te esqueças – sempre haverá um despertar. Se não for o próximo, será depois, depois ou depois...
 
Passo, ação imprescindível à caminhada. (1)
Segue em frente, não deixes de caminhar – um passo depois do outro! – porque eventualmente te sentes cansado; anima-te – respira fundo, pensa positivo, esquece as bobagens! –, pois daqui a pouco deverás ter cumprido mais uma jornada que te conduzirá ao portal que dá acesso à realidade dos teus sonhos. Ou não.
Os amanhãs translúcidos despertam, os anoiteceres misteriosos acalmam, num ciclo aparentemente interminável. Sê num e noutro momento - respira fundo, pensa positivo, esquece as bobagens! –, porque, dessa forma, serás a chama que ajuda a clarear o depois, incerto e imponderável.
Segue em frente, sempre - é a melhor opção - e acolhe os espinhos, calma e serenamente; afague os momentos de esperança. Aquele, decerto, pode ferir, mas este estanca e alivia a dor. E isso é bom.
O amanhã é inatingível, porém, a noite recompõe as forças e conduz ao portal dessa infinitude. O tesouro que buscas na vida não se encontra, portanto, na distância do futuro intocável, inacessível, mas está aqui, no agora, presente fugidio e mágico, átomo da vida. Nesse tempo, sê paciente e, se o próximo amanhecer te parecer um pouco mais demorado, delicia-te com o descanso merecido e o êxtase da espera e aprenda um pouco mais. Estejas certo: ele vai chegar, como há de ser, transfigurado no aqui e agora!
 
Delicia-te com o descanso merecido e o êxtase da espera
e aprenda um pouco mais. (2)
Segue em frente, não deixes de dar o próximo passo – imprescindível à caminhada que conduz ao portal dos sonhos! Confia em ti e no destino de um dia, depois de infinitos amanheceres e anoiteceres, e vice-versa, ser uma estrela de primeira grandeza... É quando perceberás que não importa o céu em que estejas brilhando, tampouco quem ou o quê aqueces!

Sê forte, porque as vicissitudes – que impulsionam ou nos contêm – são apenas o tempo necessário à reflexão para a tomada da decisão de ir em frente ou parar. No ciclo da vida, não há volta... Lembra-te de buscar a felicidade, seja lá como a concebas, e não dê tempo nem trela ao pessimismo que derrota.
Sê feliz e serás feliz! Não com os descansos ou com as lutas por si sós, absolutamente pessoais e intransferíveis, mas pelo que tenhas entendido, aprendido, apreendido e compreendido com os amanheceres e entardeceres, marcos dos estágios que constroem a sabedoria, e - que é o que efetivamente vale para as almas grandiosas - colocado em prática...
Sê o novo Sol ou outra estrela de primeira grandeza, se preferires, mas aquece e ilumina durante toda tua vida. Os cometas, apesar do fulgor e da beleza, são fugazes e frios...


Fugacidade (3)
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Crédito das imagens - Acesso em 1º/1/2015
(1) http://www.becodospoetas.com.br/profile/Sonnyodinecarneiro
(2) http://ultradownloads.com.br/papel-de-parede/Leitura-tranquila/
(3) http://pensamentosdesimonesantana.blogspot.com.br/2012/12/da-fugacidade-do-tempo-e-da-brevidade.html

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Arte & Cultura: Impressão: nascer do sol




Esse quadro de 1872, medindo 48 cm x 63 cm, intitulado
Impression, soleil levant 
é um óleo sobre tela do pintor francês Claude Monet (1840 - 1926).
Encontra-se atualmente no Musée Marmottan Monet, arredores de Paris.

Do seu nome, deriva o movimento artístico (artes plásticas e música) denominado Impressionismo o qual, na pintura, foi liderado por um outro pintor, também francês, quase xará, chamado [Édouard] Manet...

Principais características
  • Paisagens
  • Valorização da luz natural e da decomposição das cores
  • Pinceladas soltas (sensação de movimentos)
  • Sombras coloridas e luminosas.


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Fontes:
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Claude_Monet,_Impression,_soleil_levant,_1872.jpg
http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/impressionismo.htm




sábado, 23 de agosto de 2014

Literatura: Amizades em tempo de internet

(Homenagem aos amigos inesquecíveis)
 
 
Há os que nos encantam e nos enchem o saco,
com quem a gente discute, deixa furos, fala palavrão,
vai a festas, missas, centros espíritas, churrascos, chopes, bate-papos.
Faz vaquinha e divide sonhos.
Aporrinhados, mandamo-nos pruns lugares feios
- pra onde não vamos, ficando por perto mesmo para
cutucar, curtir e comentar nossos posts sem graça
e esperar o próximo encontro...

Há os que não: são sempre sóbrios, educados, simpáticos,
sabichões, bem-sucedidos: nada errado, apenas formais.
Há promessas de reencontros,
de churrrasquinhos, cineminha, chopinhos e o escambau,
e mensagens nas datas especiais.
Estes são lembrados pelo sistema;
aqueles, nem isso ajuda...

Os primeiros, enxeridos, falam mal das nossas roupas,
contam piadas sem graça, reclamam da cerveja quente
e da marca dos sucos naturais e dos guaranás;
sem cerimônia, dizem que estamos fora de forma,
que precisamos caminhar, que o nosso time é uma porcaria.
Não curtem os nossos livros e discos,
não sabem dos nossos gostos, mas conhecem os desgostos
e não têm vergonha de dizer na bucha,
com a cara mais lavada do mundo, que
não têm a mínima ideia
de quem ganhou o Nobel de Literatura.
"- Nobel? Quê isso?”
Escrevem vc, kd, naum...
 
Os outros, não: elogiam-nos a silhueta amorfa,
sugerem-nos vinhos das melhores cepas e safras,
perguntam-nos como vai a vida, o que temos feito dela,
que fim levou fulano e beltrano... E a saúde, como vai?
Falam de Drummond, Nietzsche, Virginia Woolf, Fernando Pessoa:
são capazes de citar poemas inéditos.
Não gostam de Bergman – sua obra é densa e hermética –
e se lembram de coisas
de que já me havia esquecido.

Os abraços de uns quase nos sufocam,
os apertos de mão quase nos invalidam,
e a presença não deixa espaços vazios.
Não há sorrisos, mas gargalhadas.
Os dos outros, são leves, limpos, cheirosos.
Os apertos de mãos são clássicos, impecáveis,
e a presença, raramente casual, são agendadas com rigor,
com ares de corte.
Tudo é mais comedido...
 
 Uns preenchem os vazios da vida,
os outros fazem-nos falta e,
nas respectivas singularidades,
são-nos plurais e únicos...
– Prazer conhecê-los.
 
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Crédito das imagens
 
 


quarta-feira, 9 de julho de 2014

Literatura: Álbum de família

Imagem e texto (Análise de imagem) postados no Facebook por Lívia Rezende, minha filha predileta, na madrugada do dia 13/8/2012 (segunda-feira) em homenagem ao Dia dos Pais. Na época, ambos éramos bem mais jovens! Na foto, tirada pela mãe na Quinta da Boa Vista (RJ), ela estava com 8 aninhos...
Não tem preço.
 
Lívia e Paulo Rezende

Nós dois.
Caminhando, paralelamente, pelo mesmo caminho.
Tratamos o trajeto com cortesia; as mãos entrelaçadas são sinal de tranquilidade.
Para trás, nos voltamos com um sorriso. Gentis com o passado, como deve ser quem tem a consciência tranquila. 
Os pés mantém a caminhada.
O lado para o qual nos viramos é o mesmo; o ângulo do que vemos é parecido – apesar de, claro, minha visão de mundo estar muito abaixo do seu horizonte
(até hoje e pra sempre, por sinal!).
A seguir, uma bifurcação e duas certezas: um caminho será escolhido e eu permanecerei ao seu lado, porque a nossa vida é isso.
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Te amo tanto, pai, tanto, que estou até agora tentando me importar por não ter te dado um presente ontem (é, já passou da meia noite). Ele vai chegar, ainda que não nos preocupemos.
O que eu tenho de real pra te dar, todos os dias, é isto: o meu sentimento registrado e a constante agonia por não existir loja no mundo que venda o que sei você precisa.
Te amo MUITO!"

 

terça-feira, 1 de julho de 2014

Análise Literária - O eu poético

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.”
Autopsicografia
(fragmento de texto, de Fernando Pessoa)


A literatura é uma obra aberta, não estando, portanto, sujeita aos limites denotativos impostos por um texto não literário. As palavras e expressões assumem sentidos diferentes dos contidos nos dicionários, a ausência de pontuação – impropriedade do ponto de vista gramatical! –, nela constitui licença poética, estabelecendo um estilo próprio dos poetas.

Enquanto num texto técnico, por exemplo, a repetição de palavras pode, em princípio, constituir impropriedade que deve ser evitada, na arte, configura-se qualidade pelo que de expressivo contém em si.

O eu poético

O texto a seguir, de autoria do amigo Rafael Massoto, é um exemplo interessante da arte de poetar. Observe que, através de algumas deixas, somos capazes de re/conhecer o perfil do “eu poético” (ou eu lírico): a faixa etária, os gostos, o ambiente e a época em que vive, se está alegre ou triste – o que, afinal, pretende dizer e como o faz. De forma alguma esse retrato deve ser confundido com o autor: enquanto este é de carne e osso, aquele não passa de um personagem de ficção cujo papel é contar uma história, recitar um poema. Não existe, portanto, no mundo real.

[Sem título]

Quando eu falar dela
sei que vão dizer não extrapole
Eu direi sei que segurar o recalque não é mole
Ela é o drible do Garrincha
ela entorta a sua vista
Se você se acha o
skate

ela é o skate e a pista
Se você se acha a lata
ela é a lata e o
graffiti


Mulher igual não existe
nem um anjo resiste
Mesmo que ninguém em mim acredite
Não terei medo de relatar o que ela é
Ela é aquela que na praia cala as ondas
É a música inédita que você mal ouve se apaixona
É aquele pensamento bom que vem antes do sono
É a tal liberdade de que todo mundo que ser dono
Ela é o beijo que a minha boca mais deseja
E você a vê
mesmo que a distância impeça que a veja
Por fim só ela existir
ela acaba com todo meu abandono.


Análise Literária*
Exercício

Logo de cara, podemos depreender que o “eu poético” é um jovem apaixonado – ou uma apaixonada!, quem sabe – do tipo exagerado, cego de amor. Mais tarde, descobriremos que, no fundo, é um solitário.

As pessoas com as quais enaltece com bastante veemência as qualidades da amada parecem não mais acreditar nos elogios que faz: são repetitivos e exagerados, mas isso não o preocupa nem o esmorece. Atribui a rejeição à inveja incontrolável dos amigos.

“Quando eu falar dela
sei que vão dizer não extrapole
Eu direi sei que segurar o recalque não é mole”


É interessante notar que o eu lírico, ao não dispor de palavras adequadas para expressar os sentimentos ou por preferir ilustrar a sua admiração de tal forma que não haja dúvidas quanto à beleza decantada, recorre estrategicamente à metonímia - figura de linguagem que consiste no emprego de um termo no lugar do outro pela afinidade ou semelhança de sentido. Constrói imagens possivelmente familiares às pessoas que integram o grupo do qual faz parte – apaixonados por futebol e por skatistas, grafiteiros e outros jovens artistas. No íntimo, deve pensar que "somente assim poderão me entender...”.

“Ela é o drible do Garrincha
ela entorta a sua vista
Se você se acha o
skate

ela é o skate e a pista
Se você se acha a lata
ela é a lata e o
graffiti
 
 
 
A amada é imprevisível ("drible que entorta"), mas o completa ("skate e pista") por ser completa em si mesma ("lata e graffiti"). Na sensualidade, não é humana: é divina, sagrada e única, capaz de fazer perder a cabeça até os mais puros dos seres imortais.

“Mulher igual não existe
nem um anjo resiste”


Os amigos são-lhe importantes e não deseja perdê-los. Entretanto, está decidido: se tiver que correr riscos para não se afastar da musa que o inspira e dá sentido à vida, não terá dúvidas sobre o que fazer. Observe que "ela" é mais do que qualquer representação: "ela" é, no sentido de ser integral.

“Mesmo que ninguém em mim acredite
Não terei medo de relatar o que ela é”


Primeiro, reverencia a forte presença da mulher que, de tão impetuosa, chama para si toda a atenção e pode facilmente ser identificada e reconhecida entre mil... "Ela é aquela..."!

“Ela é aquela que na praia cala as ondas”
 
 
 
Depois, ressalta a beleza, a harmonia, a tonalidade, a sonoridade, os passos e os compassos marcantes que envolvem quem a observa desde a primeira impressão...

“É a música inédita que você mal ouve e se apaixona”

É o ser angelical, mais do que a mulher, que o acalma e o relaxa, preparando-o para o sonho e o despertar de um novo dia:

“É aquele pensamento bom que vem antes do sono”

Deslumbrado ante à beleza da amada, descobre-se no paradoxo de desejar possuí-la para não correr o risco de perdê-la - ao tempo em que sabe ser essencial deixá-la se sentir livre - não ser!, desta vez - para continuar desejada:

“É a tal liberdade que todo mundo que ser dono” 


 
 
 
E, então, advém o desejo de tocar e de ser tocado; não sabe o que pensar – não quer pensar, e não pensa! Dissimula a sua intenção: não é a sua alma que deseja a mulher, mas a sua boca, a parte sensual que completa e efervesce as carícias. E em sendo ela o próprio beijo, serão um só, indissolúveis...

“Ela é o beijo que a minha boca mais deseja”

Se não bastasse a estonteante presença, sabe que vive com a mesma intensidade e força na lembrança, tornando-se inesquecível e eterna.

“E você a vê
mesmo que a distância impeça que a veja”


Finalmente, absorto, exausto ("por fim"), fazendo uso de uma linguagem tímida, emocionada, entrecortada e quase infantil (repetição do pronome "ela"), confessa a razão de tanto amor e adoração. É o único trecho em que há sinal de pontuação - no caso, um ponto final, como se não precisasse dizer mais nada.

“Por fim só ela existir
ela acaba com todo meu abandono."


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(*) Esclarecimento importante: os comentários acima não constituem, em nenhuma hipótese, a única possibilidade de se tentar analisar literariamente um texto poético; antes, são pontos de vista, resultados da minha visão de mundo, do momento em que os escrevi, dos sentidos e sentimentos que pude perceber. É possível enxergar outros aspectos e, claro, pintar com outras cores e nuanças a mensagem contida no texto. Se o autor vai concordar, aí é outra história!
Assim é a arte! – e é bom que assim seja...