quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Opinião - Glamour & Realidade

Matéria publicada por Tony Goes na F5, o site de entretenimento da Folha (1), trata da queda de audiência das novelas da TV Globo na faixa nobre das 21 horas. Teria o público enjoado do formato?, pergunta o colunista - ao que ele mesmo responde "não", já que "quase todas (sic) as novelas que estão no ar, em todos os canais abertos, vêm alcançando números expressivos (sic). A única que não está com essa bola toda é justamente aquela da qual se esperava um golaço: 'A Regra do Jogo'".  Não sei o que significa exatamente "quase todas" e "números expressivos", mas vamos em frente.

Como infiel espectador de novelas globais e saudoso das radionovelas da Nacional e Tupi - de que guardo longínquas lembranças -, penso, sim, que a fórmula é repetitiva e as tramas, os cortes, a trilha musical por demais parecidos, fora os trejeitos manjados e recorrentes: Suzana Vieira não muda o jeito e o tom, Renata Sorrah as caras e bocas; impossível dissociar Miguel Falabela de Caco (Sai de Baixo) , Adriana Esteves de Carminha (Avenida Brasil), Beatriz Segall de Odete Almeida Roitman (Vale Tudo), o indefectível Lima Duarte do inesquecível Sinhozinho Malta (Roque Santeiro) e por aí vai.

Lima Duarte: Sinhozinho Malta, personagem da novela
Roque Santeiro, de Dias Gomes.
Para os que atuam, a busca desenfreada por se tornar um rosto conhecido pode não ser a melhor estratégia para o sucesso e reconhecimento profissional, funcionando de maneira inversa: expor-se e revelar intimidades – turnover de namorados, amantes e parceiros, envolvimento em escândalos, futilidades do dia a dia, álcool e drogas et cetera – contribuem para a desglamourização, para a perda do charme e do mistério que deve envolver a arte de interpretar, seja no cinema, teatro ou tv.

Quando a privacidade da  "vida real" do artista é escancarada, os personagens por ele interpretados vão aos poucos perdendo a verossimilhança e ambos, a credibilidade. Nesse bojo, as novelas, filmes, teatros, a audiência. Não me lembro da última vez que alguém foi agredido nas ruas por interpretar um vilão – e isso, embora, na prática, possa significar apenas que o público, esperto, sabe distinguir uma coisa da outra, não deixa, no fundo, de ser sintomático!
Um pouco de discrição talvez fizesse bem aos que dão vida à fantasia de interpretar, garantindo a catarse, fim da própria arte!

Catarse: sentimento de alívio através de encenação.
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Fonte:
(1) http://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2015/09/1687928-agora-e-oficial-a-novela-das-21h-da-globo-esta-em-crise.shtml?cmpid=facefolha - Acesso em 30/9/2015.

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