sexta-feira, 25 de março de 2016

Artigo - Cenário dantesco

Observação
Texto ficcional inspirado nas diversas e recorrentes notícias veiculadas pela
imprensa e redes sociais a respeito do risco de o Comitê Olímpico Internacional - COI cancelar a realização dos jogo no Rio de Janeiro. (1)
As imagens, disponíveis na internet, são meramente ilustrativas e,
não necessariamente, se vinculam na realidade ao tema / legenda apresentado.
Logomarcas das Olimpíadas / Paralimpíadas de 2016
Rio de Janeiro - Brasil
 
Se os jogos Olímpicos / Paralímpicos, previstos para a cidade do Rio de Janeiro no período de 5 a 21 de agosto, acontecerem - não descarte a possibilidade de cancelamento: zika, chikungunya, dengue, crise política e econômica, término das obras! -, uma das coisas legais que vai acontecer, além das apresentações dos atletas, é claro, será, mais uma vez, não sermos obrigados a ouvir blablablás de políticos tupiniquins. Além do pavor de receberem vaias e de enfrentarem as ruas, conforme dizia Ulisses Guimarães (2), não se esqueça de que estaremos no auge da campanha eleitoral para prefeito, deputado estadual e vereador - e aí já viu, né?, não se pode correr riscos... E eles não são bobos e não os correrão!
 
Admitindo, no entanto, que tudo siga em frente e os eventos aconteçam como combinado, parafraseando a grande Regina Duarte, eu diria:
" - Eu tenho medo!".
 
... em vez da turma alegre fantasiada com as camisas
dos tão amados clubes de futebol...
Mantido o quadro atual, é impossível imaginar cenários surreais muito diferentes. Do lado de fora do estádio,  próximo à estátua de Beline, além das indefectíveis torcidas alegres fantasiadas com as camisas dos tão amados clubes de futebol, a galera de Maricá e adjacências. Com a garganta seca e faixas com dizeres do tipo "Merda é a mãe!", caminhará pacificamente pelas redondezas, doida, porém, para encontrar Nervosinho, o indefectível prefeito da cidade do Rio de Janeiro, e dar-lhe uns esfregões. Basta vaiar, não precisa ir além disso... Só para lembrar, Eduardo Paz foi pego numa ligação telefônica na qual teve a cachimônia de detonar Maricá, além de tecer outros comentários bobos para um homem público da sua idade. (3).
 
Do outro lado, uma multidão empunhando bandeiras vermelhas; separado por tropas do exército (que certamente vai estar nas ruas), outro grupo ergue flâmulas e lábaros verde-amarelos; ambos carregam faixas prós e contras e gritam palavras de ordem. Os gringos, confusos, perguntam-se: " - Que país é este?"
No meio, pivetes de todas as cores e classes botando pra quebrar... Nos cantos e becos, observados pelos flanelinhas cujos serviços valem euros, turistas, nacionais e estrangeiros, mijados e sujando as calçadas...
 
Os gringos, confusos, perguntam-se: que país é este?
Não, não é cômico; antes, trágico - retrato do quintal onde chegamos em face do que estamos vivendo. Triste país cujos representantes perderam a credibilidade e sequer as mulheres escapam de receberem cognome nada lisonjeiro - gralha dura, grelha dura, gruta dura... (pô, esses corretores ortográficos são soda!). (4) É apenas um exemplo de despudor, machismo e falta de respeito. neste caso específico, pelo menos até onde sei, contudo, não houve reação contrária às ofensas cometidas pelo ex-presidente; pelo contrário, uma deputada o defendeu com pureza angelical, utilizando-se de justificativas semânticas e culturais inadmissíveis para uma mulher que não se pode chamar de ignorante. (5)
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A abertura da cerimônia já vai começar. Fogos de artifício pipocam. Sinto ter ouvidos outros sons... Bobagem, penso. A sensação é estranha, não nego!
Na TV, as imagens do campo e arquibancadas são padrão Fifa. Nas tribunas, homens de terno e gravata e mulheres elegantemente trajadas. Que sejam bem-vindos os convidados dos países amigos e que os deuses do Olimpo grego os guardem!
Muitos puxa-sacos e papagaios de pirata... Não consigo localizar algumas figuras.
Dão início à transmissão do vídeo oficial e aparecem as belíssimas imagens da cidade mais linda do mundo. No fundo, tudo pelo poder, dinheiro e facilidades. Não merecíamos isso.
Ao longe, ouvem-se mais explosões...
Dante não teria sido capaz de descrever esse inferno...
 
No fundo, tudo pelo poder, dinheiro e facilidades.
 
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Fontes:

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